Bruna Bassani [i]

 

O PROGRAMA 5S

A prática do 5s teve sua origem no Japão em 1950, quando o professor Kaoro Ishikawa apresentou um método para combater o desperdício, e ajudar o país destroçado pela guerra, e sem recursos naturais. As indústrias japonesas necessitavam colocar no mercado, produtos com preço e qualidade capazes de competir na Europa e Estados Unidos. Após se transformar numa grande potência econômica, o Japão passou a ser foco de pesquisas por organizações de outros países, desejando conhecer as ferramentas gerenciais utilizadas para justificar os seus grandes ganhos de produtividade. Todas as organizações japonesas são unânimes em afirmar que o 5S é a base física e comportamental para o sucesso destas ferramentas gerenciais. Desta forma, o 5S passou a ser adotado por várias organizações do mundo, como um pré-requisito dos seus modelos de gestão, com a finalidade de otimizar custos com a redução de desperdícios e aumentar a produtividade.

O termo 5S’s provém de palavras que, em japonês, começam com S:

Seiri – Senso de utilização:

De acordo com Ribeiro:

 “Organizar é separar as coisas necessárias das que são desnecessárias, dando um destino para aquelas que deixaram de ser úteis para aquele ambiente”.

Basicamente o senso SEIRI é saber utilizar sem desperdiçar. É realizada uma classificação de materiais necessários e desnecessários na empresa e logo após, é feita a destinação correta desses, como a guarda, envio para reparo, remessa para outro departamento ou descarte. Devemos tomar o máximo cuidado com o que vai ser descartado para não perdermos informações e/ou documentos importantes.

Definem-se nesta etapa as áreas de descarte. Estas devem ser bem sinalizadas, evitando assim, que se tornem “áreas de bagunça”. Procura-se etiquetar e controlar todo o material a ser descartado, seja para recuperação, alienação, almoxarifado, materiais para outros órgãos, reciclagem, lixo ou sucata.

 Seiton – Senso de ordenação:

Através do SEITON aprendemos a utilizar sem desperdiçar de maneira organizada. Utiliza-se esta ferramenta para arrumar as coisas que sobraram depois do SEIRI. Tem como conceito-chave a simplificação. Deve-se estocar de forma ordenada, sistematizada e padronizada, facilitando assim, o uso, manuseio, localização e guarda.

Seiso – Senso de conservação:

Nesta etapa deve-se limpar a área de trabalho, investigando as rotinas que geram sujeira e procurando modificá-las visando o melhor resultado. Engloba-se como sujeira todo e qualquer agente que venha a agredir nosso meio, como por exemplo, iluminação deficiente, mau cheiro, ruídos, pouca ventilação, poeira, etc. É de responsabilidade de cada um zelar pela conservação do espaço, equipamentos, materiais que utiliza. A prática de SEISO inclui o não desperdício de materiais, manter a ordem em banheiros e em outros recintos após o uso, etc.

 Seiketsu- Senso de saúde:

Ribeiro cita:

“Manter o asseio é conservar a higiene, tendo o cuidado para que os estágios de organização, ordem e limpeza, já alcançados, não retrocedam. Isto é executado através da padronização de hábitos, normas e procedimentos”.

Após o cumprimento das três primeiras etapas do programa 5S, deve-se padronizar e melhorar de forma contínua as atividades. É nesta etapa que devem ser elaboradas normas para detalhar as atividades que serão executadas no dia-a-dia e as responsabilidades de cada um.

Ter senso de asseio significa criar condições favoráveis à saúde física e mental, zelar pela higiene pessoal, promovendo um ambiente saudável e cuidando sempre para que as informações, comunicados sejam claros, de fácil leitura e compreensão. Deve-se manter um comportamento ético, bom relacionamento interpessoal e cultivar um clima de respeito mútuo nas diversas relações.

Shitsuke – Senso de autodisciplina:

Ribeiro cita:

 “Ser disciplinado é cumprir rigorosamente as normas e tudo o que for estabelecido pelo grupo. A disciplina é um sinal de respeito ao próximo”.

Através do senso de autodisciplina é possível desenvolver o hábito de conservar as melhorias obtidas, visando sempre novos desafios. Nesta etapa exigem-se o compromisso pessoal com o cumprimento dos padrões éticos, morais e técnicos, definidos pelo programa, a fim de mantê-lo em funcionamento.

A IMPORTÂNCIA DENTRO DAS ORGANIZAÇÕES

Cada vez mais as empresas buscam meios para se tornarem referência em qualidade e alcançar uma determinada estabilidade no mercado, para isso utilizam pessoas em suas atividades, mudam seus conceitos e alteram seus métodos gerenciais.  Para que isso aconteça existem diversas ferramentas que podem ser aplicadas no dia a dia de uma empresa que compõe o Sistema de Qualidade. Entende-se por qualidade total, todas aquelas dimensões que afetam a satisfação das necessidades das pessoas, e, portanto, a sobrevivência das organizações. Assim sendo, o aprimoramento da qualidade deve ser buscado de forma contínua, sistemática e principalmente planejada.

OSADA cita:

“Todas as empresas que desejam melhorias de qualidade têm que começar pelos aspectos básicos, ou seja, pelos 5S’s, uma campanha dedicada a organizar o ambiente de trabalho, e conserva-lo arrumado e limpo, manter as condições padrão e a disciplina necessária para a execução de um bom trabalho.“

Em todas as empresas é necessário um ambiente harmonioso entre os indivíduos, para que  venham a produzir melhor, assim obtendo resultados com qualidade. São as pessoas que mantêm uma organização em pleno funcionamento – produzindo, vendendo, servindo ao cliente, tomando decisões, liderando, se comunicando, supervisionando, gerenciando e dirigindo os negócios da empresa. Entretanto, é indispensável contar com a colaboração de todos, para que as mudanças esperadas sejam alcançadas.

HABU cita:

“O 5s traz a melhoria da estrutura da empresa, sendo que, para tal, o método de abordagem adequado é a execução antes da teorização. Com a realização do 5s até o nível de uma crença, os resultados obtidos são extremamente grandes tanto em termos quantitativos quanto qualitativo.”

Com a aplicação destes sensos, a organização poderá obter o resultado como a melhoria da qualidade de vida no trabalho, a melhoria do relacionamento interpessoal, a diminuição da ausência do trabalho, a melhoria da produtividade, etc.

O principal papel dos 5 sensos, hoje, é nos guiar como analisar, avaliar e tomar decisões adequadas para o desenvolvimento e crescimento como pessoa e profissional. Com o programa implantado dentro da empresa teremos a capacidade de tirar o bom proveito de todas as coisas. Com o convívio destes sensos, os colaboradores compreendem melhor o seu papel dentro da empresa, e torna-os parte dos resultados alcançados, traz a consciência de ser disciplinado mesmo quando não tem cobranças.

 

REFERÊNCIAS

 

Calliari, Ediany Patrícia. A IMPORTÂNCIA DOS 5 S’S NA ORGANIZAÇÃO. 2011.

 

 

 

[i] Bruna Bassani- Acadêmica de Ciências Contábeis da Uniasselvi- FAMEG e integrante da equipe Piazera, Hertel, Manske & Pacher Advogados Associados.

 

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