A Cipa – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, regulamentada pela NR 5, tem como objetivo prevenir acidentes e doenças decorrentes do trabalho, promovendo a saúde do trabalhador.

Dentre as diversas atribuições da Cipa, pode-se citar algumas, sendo: verificar no ambiente de trabalho situações de risco a saúde e segurança do trabalhador; avaliar o comprimento das metas fixadas em cada reunião da Cipa; colaborar no desenvolvimento do PCMSO e PPRA e outros programas voltados a saúde e segurança do trabalhador; e, identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o MAPA DE RISCO, com a participação dos trabalhadores.

O Mapa de Risco é uma representação gráfica dos riscos, que é realizado com base na planta baixa do imóvel da empresa ou representado por desenhos do local de trabalho, desde a área administrativa até a produtiva. Consiste em levantar informações para estabelecer um diagnóstico da situação de segurança e saúde no trabalho.

Segundo o Sesi (2020), a avaliação dos riscos para elaborar o Mapa de Risco é qualitativa, ou seja, não envolve “medições”, e é importante envolver os trabalhadores para identificar os possíveis riscos percebidos nas atividades ou no local de trabalho. É importante também observar o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) da empresa, pois nele pode constar informações importantes aos riscos presentes no ambiente de trabalho.

O Sesi (2020), destaca que os Riscos são divididos em cinco grupos, sendo:

Grupo 1 – Riscos Físicos: se apresenta em forma de energia. Ruídos, vibrações, radiações, frio, calor, umidade.

Grupo 2 – Riscos Químicos: produtos ou substâncias químicas que penetram no organismo do trabalhador e causa danos à saúde. Poeiras, fumos, névoas, neblina, gases, vapores, produtos químicos em geral.

Grupo 3 – Riscos Biológicos: microrganismos que provocam doenças. Vírus, bactérias, protozoários, fungos, parasitas, bacilos.

Grupo 4 – Riscos Ergonômicos: esforços que produzem alteração no organismo e no estado emocional. Esforço físico intenso, levantamento e transporte, exigência de postura inadequada, controle rígido de produtividade, imposição de ritmos excessivos, trabalho em turno e noturno, jornadas de trabalhos prolongadas, monotonia e repetitividade, outras situações causadoras de estresse físico e/ou psíquico.

Grupo 5 – Riscos de Acidentes: todos os fatores que colocam em perigo o trabalhador e possam afetar sua integridade física ou mental. Arranjo físico inadequado, máquinas e equipamentos sem proteção, ferramentas inadequadas ou defeituosas, iluminação inadequada, eletricidade, probabilidade de incêndio ou explosão, armazenamento inadequado, animais peçonhentos, outras situações de risco que poderão contribuir para ocorrência de acidentes.

Estes riscos apresentados, podem provocar sérios danos à saúde do trabalhador quando ultrapassados os seus limites de concentração ou intensidade de tempo de exposição, onde pode causar alguns danos à saúde (Sesi, 2020), como exemplo:

Ruídos: Cansaço, dores de cabeça, diminuição da audição, perigo de infarto, etc.

Vibrações: Cansaço, dores de cabeça, dores na coluna e nos membros, doença do movimento, artrite, lesões ósseas e dos tecidos moles, etc.

Calor: Taquicardia, aumento da pulsação, cansaço, irritação, hipertensão, etc.

Frio: Feridas, rachaduras e necroses na pele, enregelamento, predisposição para doenças das vias respiratórias, etc.

Radiação não ionizante: Queimaduras, lesões nos olhos, na pele em outros órgãos, etc.

Radiação ionizante: Alterações celulares, câncer, fadiga, problemas visuais, acidentes de trabalho, etc.

Umidade: Doenças do aparelho respiratório, quedas, doenças, pele, etc.

Pressões anormais: Ruptura do tímpano no aumento de pressão brusco, etc.

Minerais, vegetais, alcalinas, incômodas: Silicose, enfisema pulmonar, etc.

Fumos metálicos: Intoxicação específica de acordo com o metal, febre dos fumos metálicos, doença pulmonar obstrutiva, etc.

Névoas, neblinas, gases, vapores ou produtos químicos em geral: Irritação das vias aéreas superiores, dor de cabeça, náuseas, sonolência, convulsões, etc.

Vírus: Hepatite, herpes, febre amarela, rubéola, etc.

Bactérias, bacilos: Tuberculose, tétano, pneumonia, difteria, etc.

Protozoários: Malária, mal de chagas, toxoplasmose, etc.

Fungos: Alergias, micose, etc.

Agentes Ergonômicos: cansaço, dores musculares e fraquezas, alterações do sono, depressão, tensão, ansiedade, medo, etc.

Riscos de acidentes/mecânicos, dependem da natureza da lesão, podendo afetar a integridade física e mental do trabalhador: cortes, perfurações nas mãos, braços e membros, queimaduras, envenenamento e risco de morte.

Identificados os riscos, é possível iniciar os trabalhos de elaboração do Mapa de Risco, onde o Sesi (2020, p. 39) destaca algumas etapas:

  • Conhecer o processo de trabalho do local que está sendo analisado.
  • Identificar os riscos existentes neste local.
  • Identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia.
  • Identificar os indicadores de saúde (queixas mais frequentes, acidentes de trabalho, doenças profissionais, etc.).
  • Conhecer os levantamentos ambientais já realizados no local.
  • Conversar com os colaboradores para identificar o que “incomoda” (em questão de segurança e bem estar).

Realizado o levantamento destas informações, passa-se para a etapa da representação gráfica do Mapa de Risco, que é desta forma que é apresentado: de forma visual e gráfica, identificado por cores e círculos de diferentes tamanhos, cada qual indicando uma situação, sendo:

  • Os riscos são representados por círculos de tamanhos e cores diferentes, que serão “desenhados” sobre o layout do local analisado, sendo: riscos físicos (cor verde); riscos químicos (cor vermelho); riscos biológicos (cor marrom); riscos ergonômicos (cor amarelo) e riscos de acidentes (cor azul).
  • O tamanho do círculo indicará se o risco é grande, médio ou pequeno (quanto maior for o círculo, maior o risco). Para os riscos pequenos (círculo pequeno): existe os agentes no ambiente, porém, as agressões ou seus efeitos são considerados pequenos ou até desprezíveis; para os riscos médios (círculo médio): as condições agressivas dos agentes
  • são baixas, mas causam desconfortos com ou sem o uso de proteção individual; riscos grandes (círculo grande): quando a concentração, intensidade ou exposição estão acima do tolerável, afetando a saúde do trabalhador.
  • Para cada tipo de risco os círculos serão representados por uma cor diferente, de acordo com o grupo de risco ambiental a qual pertence, como exemplo:

Figura 01 – Sesi, 2020. Comissão Interna de Acidentes. Página 41.

Assim, finalizado o Mapa de Risco, com o “desenho” da planta baixa do imóvel da empresa e distribuídos os diversos tipos de riscos, o mesmo se apresentará desta forma (não segue uma regra, sendo apenas um exemplo):

Figura 02 – Sesi, 2020. Comissão Interna de Acidentes. Página 41.

Desta forma, após o esboço e finalização do Mapa de Risco, este deve ser anexado nas instalações da empresa, em local visível a todos os colaboradores, para que os mesmos entendam os riscos e zelem pela sua segurança e de seus colegas.

REFERÊNCIAS:

Disponível em: https://clinimedjoinville.com.br/qual-a-importancia-do-mapa-de-risco-e-como-deve-ser-elaborado/. Qual a importância do mapa de risco e como de ver elaborado? 13 de janeiro de 2020. Segurança do Trabalho. Acesso em 25.11.2021.

Segurança e Saúde no Trabalho. Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – Cipa. Brasília, DF. 2020. Sesi – Departamento Nacional. Iniciativa da CNI – Confederação Nacional da Indústria.

        

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